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| Ilustração de Patrick Desmet |
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sábado, 21 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
651. Escritor
Tive de aprender, como Balzac aprendera, que temos de escrever volumes, antes de assinarmos uma obra. Tive de aprender, como rapidamente aprendi, que temos de abdicar de tudo e não fazer outra coisa senão escrever, temos de escrever e escrever e escrever, mesmo que todos nos digam para desistirmos, mesmo se ninguém acreditar em nós. Talvez o façamos precisamente porque ninguém acredita; talvez o verdadeiro segredo esteja em fazer as pessoas acreditarem.
Henri Miller, Trópico de Capricórnio, Lisboa, Editorial Presença, 2009, p.33.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
647. Sede de Descoberta e Aventura
É uma maravilha sempre nova e duma comovente beleza a sede de descoberta e de conquista dum jovem que erra à aventura, livre pela primeira vez dos condicionalismos da escola, e se orienta para os horizontes sem fim do espírito; ainda não viu murchar nenhuma ilusão, ainda não sentiu aflorá-lo nenhuma dúvida sobre a sua inesgotável capacidade de entusiasmo nem o infinito do mundo espiritual.
Hermann hesse, O Jogo das Contas de Vidro,p.91
domingo, 15 de julho de 2012
646. A Verdade
O Mestre nunca o ouvira falar com tanta violência. Continuou a andar durante um bocado e então disse:
— A verdade existe, meu caro! Mas a «doutrina» que desejas, o ensinamento absoluto que confere a sabedoria perfeita e única, não existe. Tão-pouco deves ansiar por um ensinamento perfeito, meu amigo, mas antes pelo aperfeiçoamento de ti próprio. A divindade está em ti e não nas ideias e nos livros. A verdade vive-se, não se ensina de cátedra. Prepara-te para a luta, Josef Knecht, vejo claramente que já começou.
Hermann hesse, O Jogoa das Contas de Vidro, p.70.
sábado, 14 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
642. Portugal
Este país (Portugal) preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa."
José Saramago
641. A Divina ilha de calipso
A divina ilha, com os seus rochedos de alabastro, os bosques de cedros e tuias odoríferas, as messes eternas dourando os vales, a frescura das roseiras revestindo os outeiros suaves, resplandecia, adormecida na moleza da sesta, toda envolta em mar resplandecente. Nem um sopro dos zéfiros curiosos, que brincam e correm por sobre o arquipélago, desmanchava a serenidade do luminoso ar, mais doce que o vinho mais doce, todo repassado pelo fino aroma dos prados de violetas. No silêncio, embebido de calor afável, eram de uma harmonia mais embaladora os murmúrios de arroios e fontes, o arrulhar das pombas voando dos ciprestes aos plátanos, e o lento rolar e quebrar da onda mansa sobre a areia macia. E nesta inefável paz e beleza imortal, o subtil Ulisses, com os olhos perdidos nas águas lustrosas, amargamente gemia, revolvendo o queixume do seu coração...
Eça de Queirós, « A Perfeição », in Contos, Lisboa, Bertrand Editora, [2010], p.455-456
terça-feira, 10 de julho de 2012
640. Civilização
De resto, que importa bendizer ou maldizer da vida? Afortunada ou dolorosa, fecunda ou vã, ela tem de ser vivida. Loucos aqueles que, para a atravessar, se embrulham desde logo em pesados véus de tristeza e desilusão, de sorte que na sua estrada tudo lhes seja negrume, não só as léguas realmente escuras, mas mesmo aquelas em que cintila um sol amável. Na Terra tudo vive — e só o homem sente a dor e a desilusão da vida. E tanto mais as sente, quanto mais alarga e acumula a obra dessa inteligência que o torna homem e que o separa da restante Natureza, im-pensante e inerte. É no máximo da civilização que ele experimenta o máximo de tédio. A sapiência, portanto, está em recuar até esse honesto mínimo de civilização, que consiste em ter um tecto de colmo, uma leira de terra e o grão para nela semear. Em resumo, para reaver a felicidade é necessário regressar ao Paraíso — e ficar lá, quieto, na sua folha de vinha, inteiramente desguarnecido de civilização, contemplando o anho aos saltos entre o tomilho, e sem procurar, nem com o desejo, a árvore funesta da Ciência! Dixi!
Eça de Queirós, «Civilização», in Contos, Lisboa, Bertrand Editora, [2010], p. 332
segunda-feira, 9 de julho de 2012
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