Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta AGUALUSA /José Eduardo). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AGUALUSA /José Eduardo). Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

18. Sábios como Camelos

por José Eduardo Agualusa

Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos chefes dos governos -, que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética.
O primeiro camelo chamava-se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguia imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?
Os camelos, porém, não tinham morrido. Presos uns aos outros por cordas, e conduzidos por umjovem pastor, haviam sido arrastados pela tempestade de areia até uma região remota do deserto.
Durante muito tempo caminharam sem rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos.
Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros transportados por Aba, ou seja, todos os títulos começados pela letra A. No dia seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois, quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir.
Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicou-lhe, chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:
- Eras tu o responsável pelos livros - disse -, assim, por cada livro destruído passarás um dia na prisão.
O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria de velhice na cadeia.
Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam para o levar preso, quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu licença para falar:
- Não façais isso, meu senhor - disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir - esse homem salvou-nos a vida.
O grão-vizir olhou para ele espantado: - Meu Deus! O camelo fala!...
- Falo sim, meu senhor - confirmou Aba, divertido com o incrédulo silêncio dos homens - Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.
Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro. Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada camelo conhecia de memória quatrocentos títulos:
- Liberta esse homem - disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós viremos até ao vosso palácio para contar histórias.
O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:
- Aquele homem é sábio como um camelo.
Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os camelos ainda conversam entre si.
Pode ser.

José Eduardo Agualusa, Estranhões e Bizarrocos, 2.ª edição, Lisboa, Editorial Caminho, 2000.

sábado, 15 de outubro de 2011

6. O Quarto Anjo

por José Eduardo Agualusa

Após criar o primeiro anjo, Deus ofereceu-lhe um poderoso par de asas. Explicou-lhe que aquilo era mais um aparato de fé do que de voo.
− Os pássaros - assegurou-lhe - voam por convicção.
O anjo viu como voavam os pássaros, batendo as asas e recolhendo as pernas, e imitou-os. Ao fim de cinco meses tinha ganho uma certa prática e até já conseguia fazer algumas piruetas, incluindo voo picado seguido de um duplo mortal invertido. Não era ainda uma águia, mas também não poderia ser confundido com uma galinha. Enfim, voava.
− Agora tira-as. - Disse-lhe então Deus, que o observara, em silêncio, a uma distância discreta, durante todos aqueles dias. - Tira as asas e voa.
O anjo olhou para Ele incrédulo. Protestou:
− E eu lá sou doido, ó Deus?! Tiro porra nenhuma!
Deus, o qual, como se sabe, é brasileiro, não estranhou nem que o anjo falasse português, nem sequer o forte sotaque carioca. A língua e o sotaque, aprendera-as com Ele. Compreendeu, todavia, que lhe faltava o essencial, a fé, além de uma educação um pouco mais esmerada, pois, bem vistas as coisas, tratava-se de um anjo, ainda que numa fase de iniciação, e num rápido gesto de enfado, descriou-o.
O segundo anjo era, sem dúvida, um sujeito mais cordato e delicado. Muito loiro e frágil. Muitíssimo anjo. Tinha uma cabeleira comprida, que gostava de trazer sempre limpa e entrançada, num gracioso rabo-de-cavalo. Aprendeu a voar mais depressa do que o primeiro, com uma técnica original, que deixava os pássaros envergonhados. Porém, quando Deus lhe pediu que tirasse as asas e se lançasse assim, inteiramente nu, de um penhasco altíssimo, também ele recusou.
- Ai Deus! Saiba o Senhor que isso eu não faço. Com o seu perdão, faço qualquer coisa, qualquer coisa, entende?, faço qualquer coisa, mas isso não faço, não.
Disse aquilo com voz trémula e humilde, sem sombra de arrogância, de forma que o Criador se apiedou dele e o deixou ir. O anjo pintou as asas de cor-de-rosa choque e juntou-se a um bando de flamingos. Dizem que ainda hoje é possível ver, em certos crepúsculos inflamados, nalgum palude perdido de África, um anjo voando, com singular elegância, entre uma nuvem de flamingos. Voando e rindo. Eu nunca o vi, mas pode ser.
O terceiro anjo fê-lo Deus mais prático e destemido. Usava um bigode curvo e era respeitoso e de poucas palavras. Voava sem esforço, mas também sem agrado. Pousava nos ramos das mangueiras, ou de outras árvores igualmente altas e frondosas, e era capaz de ficar por ali, sentado, tardes inteiras, a cofiar o forte bigode, a comer mangas e a fruir a sombra fresca e o canto das aves. Quando Deus lhe pediu que subisse ao penhasco e que tirasse as asas e saltasse, não o contestou. Não disse nada. Voou até ao penhasco, tirou as asas e saltou. Ficou claro, naquele trágico instante, que o que lhe sobrava em disciplina faltava-lhe em fé. Ou melhor, como Deus lhe tentou explicar enquanto ele caía, vertiginosamente, de encontro ao gume feroz das rochas, lá muito em baixo, o problema é que colocara toda a sua fé no instrumento ao invés de a colocar no objetivo. O impacto foi devastador.
O Senhor Deus ficou desgostoso com o novo desaire. Levou muito tempo a recuperar-se. Por fim tentou de novo. Saiu-lhe, à quarta tentativa, um anjo alegre, até um pouco simplório, que gostava sobretudo de cantar e de dançar, artes, aliás, que ele próprio havia inventado. Para voar não parecia possuir grande talento. Todavia, quando Deus lhe sugeriu que tirasse as asas e tentasse voar sem elas, usando o esforço da fé, ele apenas perguntou, atordoado:
- E é possível?
Depois largou as asas, espreitou o fundo abismo, fechou os olhos, e imaginou que por dentro do seu corpo outras asas se desenrolavam e batiam. Foi com essas, um tanto torto, um outro tanto tonto, que se ergueu no céu.
Deus alegrou-se. Depois dele fez muitos outros anjos, legiões e legiões, mas poucos, muito poucos foram capazes de imitar o número quatro. Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre nós, como uma espécie de agente secreto. Um observador num campo de batalha. Uma testemunha incógnita.
Provavelmente o anjo número dois é mais feliz.

José Eduardo Agualusa, A Educação Sentimental dos Pássaros, Alfragide, Publicações D. Quixote», 2011, pp. 55-57.

5. Elefantes velhos (Hipérbole)

A minha primeira ocupação, ainda criança, foi lavar os elefantes. Tarefa árdua, sobretudo porque os nossos, e eram três, já tinham todos mais de meio século, e rugas tão profundas que as escovas se perdiam nelas.

José Eduardo Agualusa, Educação Sentimental dos Pássaros, Alfragide, Publicações D. Quixote», 2011, pp. 55-57.

4. Uma Pessoa Quase Normal

por José Eduardo Agualusa


O senhor Mesquita tinha a certeza de que à noite se transformava num tubarão-martelo. Tirando tal convicção, que a família acatava com serena bonomia, o senhor Mesquita passava por ser uma pessoa quase normal. É verdade que acordava asfixiado todas as manhãs, e que levava alguns segundos até conseguir adaptar-se ao novo ambiente. A seguir barbeava-se, vestia-se, lia o jornal enquanto bebia café e trincava torradas, e quando saía de casa, a pé, em direção ao emprego, a uns duzentos metros, se tanto, na esquina mais próxima, já era inteiramente um homem.
Um homem comum.
Até ao dia em que no caminho para o emprego um toxicodependente lhe encostou uma navalha vermelha, de ponta e mola, ao estômago, e o senhor Mesquita lhe devorou o braço direito, incluindo a navalha.
A vida de Júlio Baltazar mudou por completo na manhã em que perdeu o braço direito e uma navalha.
Até àquele dia, Júlio Baltazar nunca tivera objetivos na vida. Apaixonara-se aos dezasseis anos por uma colega, Joana, rapariga bonita e inteligente, porém um tanto alheada, que ocupava a maior parte do tempo a comunicar com as plantas através da ingestão de cogumelos alucinógenos, ou da inalação do fumo de folhas de diferentes variedades de cânhamo. Júlio Baltazar nunca conseguiu comunicar com as plantas. Um dia Joana partiu para a índia, seguindo as indicações de um repolho, e Júlio abandonou a agricultura biológica e as saudáveis caminhadas pelos bosques à procura de cogumelos. Passou então a consumir substâncias químicas nada recomendáveis. Não demorou a desistir dos estudos, iniciando uma incerta carreira como arrumador de automóveis. Para arredondar o salário comprou uma bela navalha vermelha, de ponta e mola, passando a exibi-la, na rua, a pessoas desacompanhadas. O senhor Mesquita foi a quinta pessoa a quem Júlio Baltazar mostrou a navalha e a primeira que a comeu. No hospital, atordoado, incapaz de compreender exatamente o que lhe acontecera, o arrumador de automóveis jurou abandonar para sempre os exercícios químicos. Voltou a estudar, formando-se em psicologia clínica. Uma tarde surgiu-lhe no consultório um homem de perfil afiado, inclinado para diante, como se o puxasse o futuro. Sentou-se e disse ao que vinha:
- Sou um tubarão!
O doutor Júlio Baltazar estremeceu. Recordou-se da manhã em que perdera o braço direito. Talvez aquela figura tivesse irrompido de algum recanto em ruínas do seu cérebro, resultado do tempo em que abusara das drogas - uma maldita alucinação retroativa. Ou não. Ali, no consultório, surgiam-lhe todas as semanas as mais curiosas personagens. Conhecera um sujeito que se sentia sexualmente atraído por piscinas. Outro por volkswagens. Um terceiro tomava chá, todas as tardes, no cemitério, com a mãe defunta. Havia os que se julgavam capazes de comunicar com o diabo, e muitos (muitos, mesmo) que haviam sido raptados por extraterrestres e, depois de soltos, se mantinham em contacto com eles. Respirou fundo:
− Que género de tubarão?
O homem inclinou-se ainda mais para diante:
− Sphyrna lewisi - soprou. - O senhor conhece?
Sorriu, e Júlio Baltazar viu-lhe os dentes. Era demasiado tarde para sentir medo. O psicólogo compreendeu, num relâmpago, que se preparara para aquilo metade da vida. Abriu devagar a gaveta esquerda da secretária e tirou a pistola.

José Eduardo Agualusa, «Disse chamar-se Escuridão», in A Educação Sentimental dos Pássaros, Alfragide, Publicações D. Quixote», 2011, pp. 55-57.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

1. Disse chamar-se Escuridão

por José Eduardo Agualusa


Disse chamar-se Welema, nome que em umbundo significa Escuridão. Nenhum de nós o contestou. Ninguém se riu. Faltou-nos coragem. O rapaz tinha um jeito desagradável de lamber os lábios, e uns pequenos olhos piscos e pérfidos que sustentavam com dificuldade o fulgor da tarde. Perguntou se podia jogar connosco, e, embora não houvesse lugar para ele, dissemos-lhe que sim e um de nós abandonou o campo e foi sentar-se na areia, à sombra esparsa e verde de um coqueiro.
Escuridão não podia ser considerado um bom jogador, pelo contrário, tirando a rapidez. Ficávamos a vê-lo passar como um clarão, a áspera cabeleira da cor do capim seco e a pele luminescente, que dali a dez anos estaria já semeada de sinais e manchas noturnas, como a casca de uma banana demasiado madura. Naquela época, porém, Escuridão tinha apenas onze anos, como todos nós, e a pele - insisto - brilhava à luz do sol, límpida e lisa, semelhante à dos anjos loiros nos manuais da catequese.
Ainda aplaudimos os quatro primeiros golos. Ao quinto, porém, erguemos o sobrolho, sentados à sombra verde do coqueiro, e soltámos um sonoro muxoxo de desprezo: «Afinal!»
Não mais do que isso. Ninguém se atreveu a questionar os golos. Alguma coisa nele nos amedrontava, embora não soubéssemos precisar o quê. Sim, depois discutimos isso. Discutimos durante anos. No fundo dos olhos piscos morava uma aranha na sua teia. Ou então seria aquele jeito desagradável que ele tinha de passar a língua pelos lábios, «tipo cobra», como lembrou um de nós. Ou ainda a voz demasiado aguda, como um giz riscando a ardósia. O rapaz foi aparecendo nas tardes de sábado, e ganhava sempre, fosse qual fosse o jogo, futebol, berlinde, corrida de bicicleta, dominó ou braço-de-ferro.
Escuridão não discutia, não ameaçava. Limitava-se a piscar os olhos, a passar a língua pelos lábios, e nós deixávamos cair o braço. Ele sorria:
- Ganhei outra vez.
Voltámos a encontrá-lo muitos anos mais tarde. Foi fácil reconhecê-lo, não obstante a calvície cruel e a pele em tão mau estado que parecia roubada a um morto após rijo combate. Creio que o teríamos reconhecido ainda que entretanto houvesse mudado de raça, de sexo, ou mesmo de clube, porque voltámos a sentir um aperto no estômago, a antiga agonia, assim que espetou em nós o ferrão em brasa dos pequenos olhos piscos.
− Olha quem são eles!
Pousámos as cartas na mesa, um de nós puxou uma cadeira, apertámo-nos um pouco - «unidos caberemos todos», era o nosso lema - e Escuridão sentou-se connosco. Mandámos vir mais cervejas.
− Há quantos anos?
Haviam decorrido décadas. Quisemos saber por onde andara. Desenhou com a mão direita uma vasta curva, abarcando o oceano que dormia aos nossos pés, numa modorra de cachorro velho, e, para além dele, o mundo inteiro e os seus escuros recantos:
− Por aí. Muito por aí. Muitíssimo...
Por onde quer que tivesse andado continuara a vencer. Vestia uma camisa estampada com osgas, calças brancas e sapatos do mais fino couro. Trazia a cabeça protegida por um genuíno panamá, os quais, não obstante o nome, são fabricados à mão no Equador, e vendidos por uma pequena fortuna nas melhores chapelarias de Paris ou Nova Iorque. No pulso esquerdo exibia um pesado relógio de ouro, que sacudiu diante dos nossos olhos assombrados.
− Ah, como tudo mudou. Ainda ontem eu era o candengue pobre. Não tinha dinheiro nem para comprar uma bola de futebol. Lembram-se? Agora sou o dono da bola. Sou o dono da bola, do campo de futebol e dos jogadores.
Quando tentámos saber em que área profissional se movimentava, Escuridão encolheu os ombros, evasivo:
«Negócios, importes e exportes.» Regressara ao país, explicou, movido pelo anseio patriótico de colaborar na grande aventura da reconstrução. Falou sozinho sobre o seu anseio patriótico durante longos minutos. Um de nós ainda se atreveu a recordar os tempos duros que havíamos vivido na trincheira firme do socialismo, comendo peixe-espada com arroz, por alcunha o «cinturão das fapla», ou arroz com arroz, meses a fio, enquanto alguns daqueles que agora regressavam para colher os generosos frutos da paz viajavam pelo mundo com passaportes estrangeiros. Escuridão passou a língua pelos lábios e logo se fez um silêncio aflito.
− Não há pior sofrimento do que o exílio.
Depois pediu que déssemos as cartas, e jogámos o resto da tarde. Vimos o sol desaparecer no mar. A água escurecer e encrespar-se. Perdemos com admirável dignidade. Finalmente Escuridão pousou as cartas:
− É bom voltar a casa - murmurou. Sorriu satisfeito. - Já estava cansado de ganhar sozinho.

José Eduardo Agualusa, «Disse chamar-se Escuridão», in A Educação Sentimental dos Pássaros, Alfragide, Publicalões D. Quixote», 2011, pp. 49- 52