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domingo, 22 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
642. Portugal
Este país (Portugal) preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa."
José Saramago
domingo, 24 de junho de 2012
601. Viagem
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| Ilustração de Selçuk Demire |
A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
José Saramago
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
José Saramago
domingo, 22 de abril de 2012
511, Dia da Terra
Sendo certo que o planeta em que vivemos já passou por seis
ou sete eras glaciais, não estaremos nós no limiar de outra dessas eras? Não
será que a coincidência entre tal possibilidade e as contínuas acções operadas
pelo ser humano contra o meio ambiente se parece muito àqueles casos, tão
comuns, em que uma doença esconde outra doença? Pensem nisto, por favor. Na
próxima era glacial, ou nesta que já está principiando, o gelo cobrirá Paris.
Tranquilizemo-nos, não será para amanhã. Mas temos, pelo menos, um dever para
hoje: não ajudemos a era glacial que aí vem.
José Saramago, O Caderno, Lisboa, Editorial Caminho, 2009, p. 52
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| Ilustração de Carmen Saldaña |
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| Ilustração de Carole Hénaff |
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| Ilustração de Katell Daniel |
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| Ilustração de Luc Vernimmen |
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| Ilustração de Marta Antelo Alemany |
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| Ilustração de Zahra At'hamkhani |
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| Ilustração de Francesca Cosanti |
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| Ilustração de Gianni de Conno |
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| Ilustração de Graham Franciose |
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| Ilustração de Alberto Ruggieri |
domingo, 20 de novembro de 2011
47. O Amor não Tem nada que Ver com a Idade
por José Saramago,
Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor.
Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.
José Saramago, Revista Máxima, Outubro 1990
Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor.
Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.
José Saramago, Revista Máxima, Outubro 1990
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