Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Violência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Violência. Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de outubro de 2012

697. Violência

Não há arte nenhuma capaz de convocar tantas almas quanto a violência.

 Afonso Cruz, O Pintor debaixo do Lava-Louças, Alfragide, Caminho, 2011, p.1.

domingo, 14 de outubro de 2012

689. Agressão

A sua testa tem a marca de uma agressão com um jarro de vidro, mas é por dentro que os jarros de vidro magoam mais, e os estalos nas orelhas, e os murros, e os pontapés. Dão cabo do interior das pessoas como uma doença. Batem por fora, mas começam a afundar-se e a entranhar-se dentro das veias, nos pensamentos, nos intestinos, nos pulmões, no fígado. Crescem com as unhas e com os cabelos e com os ossos. Uma pessoa fica com metástases das agressões por todo o lado, com a alma escurecida apesar da luz fluorescente da cozinha, essa luz que nos deixa com cara de doentes.

Afonso Cruz,  «Quando as joaninhas de plástico deixam de falar»» in Afonso Cruz et allii, Isto não é um conto, Lisboa, Associação Link, 2012, p. 86..

688. Violência

Claro que o seu amor-próprio já tinha sido praticamente aniquilado por ele, porque, quando passas a vida a ouvir que não prestas, começas a acreditar nisso, e quando tudo o que recebes são humilhações, começas a pensar que as mereces. A repetição é a mais subtil das armas psicológicas. Toda esta dinâmica faz com que o medo se instale, comodamente, e nos habite dia após dia. Mês após mês. Ano após ano.

Karla Suáresz, «Esse Estranho Animal»» in Afonso Cruz et allii, Isto não é um conto, Lisboa, Associação Link, 2012, p.73.