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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

366. [Navegando na leitura]


Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes.

Emily Dickinson
ilustração de Ana Sanfelippo

365. Frigirífico-estante

364. Marcador de Livros

O dedo do poeta austríaco Grillparzer servindo de marcador de livro
(Volksgarten, Viena)

363. Cartas de Amor

Envio-te cartas de amor, mas sei que nunca as irás ler, … nas frases vão os desejos, nas palavras escrevo os beijos, … assim podes devolver.


José Gabriel Duarte

362. Vivo na esperança de um gesto

Vivo na esperança de um gesto
Que hás-de fazer.
Gesto, claro, é maneira de dizer,
Pois o que importa é o resto
Que esse gesto tem de ter.
Tem que ter sinceridade
Sem parecer premeditado;
E tem que ser convincente,
Mas de maneira diferente
Do discurso preparado.
Sem me alargar, não resisto
À tentação de dizer
Que o gesto não é só isto...
Quando tu, em confusão,
Sabendo que estou à espera,
Me mostras que só hesitas
Por não saber começar,
Que tentações de falar!
Porque enfim, como adivinhas,
Esse gesto eu sei qual é,
Mas se o disser, já não é...

Reinaldo Ferreira, Poemas

361. Marcadores de livros

Marcador de livros feito à mão

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

358. Crítica / Elogio

O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica.

Norman Vincent Peale

sábado, 11 de fevereiro de 2012

356. Já não quero dicionários

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.

Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

353. Retrato

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

Clarice Lispector

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

352. Cabo da boa esperança

Interpretação de Amália Rodrigues



Interpretação de Ana Moura

Nasci pra ser ignorante
Mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.

Que remédio? Obedeci.
Há já três lustros que estudo.
Aprender, aprendi tudo,
mas tudo desaprendi.

Perdi o nome às Estrelas,
aos nosso rios e aos de fora.
Confundo fauna com flora.
Atrapalham-me as parcelas.

Mas passo dias inteiros
a ver um rio passar.
Com aves e ondas do Mar
tenho amores verdadeiros.

Rebrilha sempre uma Estrela
por sobre o meu parapeito;
pois não sou eu que me deito
sem ter falado com ela.

Conheço mais de mil flores.
Elas conhecem-me a mim.
Só não sei como em latim
as crismaram os doutores.

No entanto sou promovido,
mal haja lugar aberto,
a mestre: julgam-me esperto,
inteligente e sabido.

O pior é se um director
espreita pla fechadura:
lá se vai a licenciatura
se ouve as lições do doutor.

Lá se vai o ordenado
de tuta e meia por mês,
Lá fico eu de uma vez
um Poeta desempregado.

Se me não lograr o fado,
porém, com tais directores,
e de rios, aves e flores
somente for vigiado,

enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.

Sebastião da Gama